quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Da série «Manual da vida breve» - VII


12.

No manual da vida breve, onde os dias
se (des)fazem úteis e o tempo se conta pelos
dedos como dantes se contava a tabuada,
os poetas interrogam-se: que sabem eles
de poesia? Onde param os versos que sopram
para longe o nevoeiro que cega e entontece?

(e se desconhecem que à cor afogueada que
toma a atmosfera depois do sol se pôr se chama
arrebol, por minha vontade ditava-lhes que
ficassem sentados à sombra da vida que se
esconde a observar as morosidades dos bois
antigos nas voltas da nora à espera
do favorecimento das Graças)[1]






[1] Poema escrito sobre este texto de José Rentes de Carvalho.



3 comentários:

  1. :) Tu és a poetisa que tem a chave das algemas das palavras.

    E por isso (e muito mais)... ósculos e um amplexo. :)

    Jonas

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