quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Polaroids - I










Polaroid de Andrei Tarkovsky.
Daqui.


«Polaroids»

I

Pressinto que o silêncio pode ser uma forma de combater a imobilidade. Coloco em cima da mesa a imagem da casa que tem uma tonalidade rosa velho nos pedaços de parede que ainda não caíram. A casa onde as fendas não começam nem acabam e os restantes pedaços de parede parecem sugerir que todos os poemas têm algo de abandonado. A porta principal permanece com um cadeado mesmo quando levanto os olhos para o céu e os vidros das janelas talvez nunca estivessem lá. Um dia, hei-de parar o carro em frente à casa e tentar perceber se o que nela me encanta é a luz trémula que imagino sobre os soalhos ou a certeza que não há uma explicação para o invisível.

Sandra Costa



[série de textos/poemas, chamem-lhe o que quiserem, que não foi escrita para as belíssimas polaroids de Tarkovsky]

2 comentários:

  1. Beijinhos, Sandra.
    Guardo com estima o Ruy Belo e o Daniel Filipe.
    Lembro-me de ti muitas vezes.

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